| Cirurgia plástica melhora a auto-estima |
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A aparência física esta diretamente relacionada ao bem-estar social e emocional. A cirurgia plástica para corrigir orelhas de abano pode ser feita na infância.
Os apelidos vêm desde a infância. Abanador, dumbo, açucareiro, topojijo. Somente quem tem orelhas de abano sabe que o quanto é difícil conviver com esses pseudônimos. Na última década, diversos estudos evidenciam que a aparência física está diretamente relacionada ao bem-estar emocional e social. No Brasil, essa premissa está mais do que confirmada. Embora tenha caído do segundo lugar (posto de 2004) para a atual nona posição no ranking dos países que mais realizam cirurgias plásticas no mundo, os números ainda chamam atenção. Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, mais de 365 mil procedimentos estéticos são realizados no país anualmente – e 69% deles são feitos pelo público feminino.
As malformações nas orelhas geralmente afetam a auto-estima do paciente. Especialistas afirmam que os problemas começam a partir de 5 ou 6 anos, faixa em que se iniciam as atividades escolares e os comentários feitos por colegas de classe passam a incomodar a criança que se sente “diferente”, discriminada do grupo. A psicóloga infantil Maria Teresa Lopes, que atua no serviço social de uma escola particular de Salvador, atesta que na maioria dos casos o problema físico realmente afeta o desenvolvimento emocional e intelectual da criança. “Quando começamos a investigar aqueles meninos tímidos que geralmente têm dificuldades de comunicação e relacionamento, descobrimos que eles se sentem muito mal por que são ‘diferentes’”, explica a psicóloga. Segundo ela, esse incômodo chega a interferir até mesmo no desempenho escolar, principalmente, quando os colegas começam as brincadeiras de apelido. “Eles ficam extremamente envergonhados e passam a se excluir da turma”.
No entanto, esse problema físico que geralmente origina danos psicológicos pode ser resolvido através da otoplastia que é a cirurgia plástica indicada para a correção externa do órgão. Também chamada de orelha em abdução, a orelha em abano é uma deformidade ligada a fatores genéticos e características familiares e raciais, que atuam preponderantemente nas alterações de formato. Por essa razão, a otoplastia normalmente é feita para aproximar o órgão da cabeça, corrigir a forma e o “desenho” da orelha.
O estudante Marcos Vinícius Leite, 13 anos, fez a otoplastia há três anos. Para o jovem, a cirurgia trouxe uma mudança radical de vida. Ele conta que durante a infância sofreu muito com os apelidos e só conseguiu perder um pouco da timidez depois de se submeter ao procedimento. “Eu ficava tão irritado com os apelidos que me recusava a ir para escola. Era horrível, me sentia o pior e mais feio de toda a classe. Hoje, graças a Deus, consigo conviver bem com meus colegas e não sofro mais com aqueles apelidos horríveis”, disse o adolescente.
Embora o público alvo desse tipo de cirurgia sejam as crianças entre 6 e 10 anos, o procedimento também é realizado entre adultos. Segundo o cirurgião plástico e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Márcio Motta, o candidato à otoplastia deve passar por uma avaliação clínica e laboratorial, para determinar se tem condições de se submeter a um procedimento estético e cirúrgico.
O especialista acrescenta que no caso de adultos exames cardiológicos podem ser necessários. “Na primeira consulta, o cirurgião avalia o tamanho, a simetria, a consistência e a forma das orelhas. Em seguida, tira fotografias para posterior comparação. A anestesia pode ser local ou geral”, explica o cirurgião, acrescentando que a escolha do método, sempre em comum acordo com o anestesista, leva em consideração o tamanho da cirurgia, as condições clínicas, psicológicas e a idade do paciente. “Em geral, as crianças recebem anestesia geral e os adultos, a local, com ou sem sedação”, explicou.
Motta esclarece ainda que os cuidados pós-operatórios podem variar segundo a magnitude dos procedimentos efetuados. Segundo ele, sempre haverá um inchaço, maior nos primeiros dois dias, que gradativamente vai diminuindo. Os pontos externos são retirados entre seis e oito dias e em geral este é o tempo suficiente para o paciente retornar às suas atividades sociais e laborais. “É importante ressaltar que as alterações de cicatrização e acomodação dos tecidos em seu novo local seguem por mais algum tempo. Pelo menos três meses são necessários para se observar o resultado final do tratamento”, assinala o especialista.
Fonte: correiodabahia.com.br |









